quinta-feira, 20 de abril de 2017

Deborah Prates é a presidente da nova Comissão da Mulher do IAB

Compartilhando a emoção que senti ao ser nomeada presidente da Comissão da Mulher do IAB. Tão emocionada fiquei que deixei para fazer o uso da palavra na próxima reunião. Faço um link entre o feminismo e a causa das pessoas com deficiência. A partir do momento em que não haja mais diferença de gênero no lar, as crianças, ao chegarem nas escolas, saberão recepcionar com igualdade os coleguinhas diferentes, como por exemplo os colegas com deficiência.


A sororidade, para mim, é o chão do feminismo, já que traz a ideia de irmandade entre as mulheres. Se hoje estamos falando da nova comissão é graças ao movimento das mulheres que, no passado, deram suas vidas na imposição das suas reivindicações pela igualdade entre homens e mulheres.


Traduzo como uma forte união e entrelace entre as mulheres com fundamento no companheirismo e empatia e com o contundente interesse no encontro de objetivos em comum. Costumo dizer que se a mulher quer ganhar igual salário pago ao homem para o exercício de idênticos misteres ela já é uma feminista! Acho que este sentimento é comum entre as consócias do nosso IAB.


Descrição da imagem para pessoas com deficiência visual: Deborah Prates, de óculos escuros, blusa branca e casaco amarelo, falando ao microfone no Instituto dos Advogados Brasileiros



Matéria na íntegra (retirado do site do IAB, link acima):

O presidente nacional do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), Técio Lins e Silva, anunciou na sessão ordinária desta quarta-feira (19/4) a assinatura de uma portaria criando a Comissão da Mulher e outra designando a consócia Deborah Maria Prates Barbosa (foto) para presidi-la. “Tenho certeza de que você conduzirá com brilho e competência, minha cara Deborah, esta missão”, afirmou Técio Lins e Silva.

Ao final da sessão, emocionada com a incumbência, Deborah Prates, primeira pessoa com deficiência a ingressar nos quadros do IAB, afirmou: “A iniciativa do nosso presidente é motivo de grande alegria e representa um enorme avanço; afinal, o Brasil é um país muito machista”. Segundo a advogada, a criação da comissão e a escolha do seu nome para presidi-la “é uma conquista para as mulheres e as pessoas com deficiência, pois, com o prestígio do IAB junto à sociedade, representará abertura de portas e oportunidades”.

Para Deborah Prates, “o feminismo é um movimento de transformação social”. Indagada sobre as primeiras ações da Comissão da Mulher, a advogada disse: “Penso que, neste momento, formar um time de consócias comprometidas com a igualdade de gênero seja a primeira etapa desse novo trabalho”. E acrescentou: “Sororidade é a palavra da hora, pois é a minha versão feminina para fraternidade, já que frater, em latim, significa irmão, e sóror, na mesma língua, representa irmã”.


terça-feira, 28 de março de 2017

Quando as oprimidas viram opressoras




Descrição da foto para pessoas com deficiência visual: Deborah Prates vestindo uma camiseta com a palavra "SORORIDADE" escrita em amarelo sob um fundo preto. Em volta da palavra, que está disposta na camiseta por sílabas - uma em cima da outra - há cinco pares de mãos unidas. Deborah fala ao microfone. Ao fundo, a parede é branca e, no canto esquerdo, há um quadro de moldura dourada. 


         Frequento alguns coletivos feministas na Cidade Maravilhosa. Um deles realizou, neste final de março, um evento em um cinema. Antes do filme aconteceu um debate com abordagem feminista. Pensei em não ir pela ausência de audiodescrição para o filme que seria exibido após a roda de conversa.

         É que eu já havia solicitado e reiterado essa acessibilidade e, em resposta, ouvi o de praxe: - Ah, não temos recursos. Dormi arrasada. Acordei fortalecida e com a certeza de que deveria ir. Fui!

         Dei sorte por que fui convidada para falar pelo movimento. Então, fiz questão de enfatizar que não faria um mero desabafo, como comumente ouço as moças dizerem, e sim uma nova reivindicação para a efetivação dos direitos fundamentais das pessoas com deficiência. Contei à plateia a importância da audiodescrição para a compreensão do contexto do filme. Alertei que se houvesse sororidade e solidariedade dos humanos sem deficiência, com o mesmo dinheiro poderia ter sido decidido pelo filme dublado. Seria uma boa chance de exercitar a acessibilidade atitudinal, de sorte que pouco importaria se muitos e muitas só gostassem de filmes na suas línguas originais. Finalizei informando que as acessibilidades compunham o rol dos nossos direitos fundamentais e que não poderíamos falar de democracia sem igualdade e liberdade sem acessibilidade. Despedi-me informando que não ficaria para o filme por todos os motivos já explicados. Afinal, nunca perdi a minha dignidade!

         Na saída ouvi vozes femininas retrucando os meus argumentos. Revidavam que eu não poderia ter dito tudo o que disse ali, já que não seria o momento certo para "desabafar".

         Percebi naquelas vozes a encarnação da opressão pelo poder das mulheres sem deficiência contra as suas iguais com deficiência. Pena que a minha manifestação fora renegada às escondidas! Ah, se elas tivessem me chamado e não retrucado por trás!

         Inequívoco o olhar assistencialista que retira as mulheres com deficiência de cena! Vivemos tuteladas. Sem independência e autonomia até para fazer as próprias escolhas!

         Voltando para casa, no saculejo do metrô, lembrei-me da obra do antropólogo Roberto da Matta, "O que faz o brasil, Brasil?" Os argumentos tocantes às desigualdades no ano de 1985 se encaixavam como uma luva naquela sofrida experiência.

         O autor demonstra que o povo brasileiro adora a desigualdade. Porém, sempre dá um jeitinho de conciliar as visões diferentes, fingindo uma harmonia entre todas e todos. Procura agregar os opostos numa mesma fôrma. Contudo, com muita sutileza, sabe deixar nítido quem são os brasileiros principais e, no contraponto, quem são os brasileiros coadjuvantes.

         A questão é que a nossa sociedade não constrói barreiras físicas claras. Mas, ninguém tem dúvidas de que elas existem no nosso cotidiano.

         A desigualdade traz a ideia de que existem pessoas melhores que outras. No nosso Brasil, em tese, os desiguais convivem nos mesmos espaços num tom de igualdade formal. Todavia, a diferença é patente. Não pelas barreiras físicas, mas pelas barreiras simbólicas, atitudinais.

         O exemplo do vestibular dá a impressão de que todos concorrem igualmente. Mas, sabemos que a maioria que passa para as universidades públicas vem de escolas particulares. É um país de faz de conta. A noção de igualdade nunca pegou no Brasil.

         A nossa história é feita de privilégios atrás de privilégios. Tenho a impressão que o brasileiro parece ter vergonha desse modo de viver, pelo que finge se misturar com os diferentes. E, por esse jeitão, inventou uma hierarquia de valores. É tudo simbólico, velado, maquiado.

         Funciona assim: a pele branca vale mais que a pele negra; a pessoa sem deficiência vale mais que a pessoa com deficiência; o brasileiro jovem vale mais que o idoso, etc. O brasileiro que ostenta um símbolo, acertado como maior pela sociedade, tem mais direitos. Há um véu da igualdade passando por trás das desigualdades. Naquele cinema éramos todas iguais! A prova estava nas imagens de uma mulher com deficiência e outra negra no palco.

         As pessoas com deficiência, ainda em 2017, são - simbolicamente - tidas como quase alguém. Como quase brasileiras.  Assim, o CNJ baixou a Resolução 185/2013. É o famoso PJe. Esse sistema de peticionamento eletrônico não fora desenvolvido conforme o Consórcio W3C, de modo que baniu os advogados cegos da advocacia ante a ausência das acessibilidades. Esse mau exemplo não deixa dúvida de que, de modo simbólico, as pessoas sem deficiência têm peso maior que as "iguais" com deficiência.

         Nessa balada a sociedade vai eternizando o preconceito sobre as pessoas com deficiência e IGNORANDO, solenemente, a efetivação das acessibilidades como direito fundamental desse seguimento.

         Nos movimentos feministas a situação se repete. Nas reuniões eu falo, falo, falo... Nada acontece. Mas, a causa é bonita! Os políticos adoram! Deixamos as fotografias com um ar de inclusão para serem postadas no facebook em busca de dezenas de curtidas e comentários clichês. Ai, maldito véu da igualdade que recobre as nossas cabeças!

         Normal, pois, o comentário das mulheres sem deficiência depois da minha constitucional manifestação. Essas opressoras não sabiam o que falavam. A ignorância é que atravanca o progresso.

         Diziam que eu tinha que esperar. O quê? A morte? A Lei de Cotas, por ilustração, tem 26 anos sem cumprimento. A nossa Convenção de Nova Iorque (com status de Emenda Constitucional) tem 9 anos e não é cumprida. Temos a melhor legislação do planeta totalmente ignorada pela sociedade brasileira. E as moças vêm dizer que não era hora de falar, de brigar pela efetivação dos nossos direitos fundamentais!

         Qual será a nossa hora de reivindicar o cumprimento das leis? Querem nos amordaçar! Não! Para os que têm uma crença religiosa, talvez na vida eterna seja o momento oportuno. Vivemos no tempo presente. No aqui e agora. Quem restituirá às pessoas com deficiência o tempo de vida perdido? Mulheres sem deficiência oprimindo as suas iguais com deficiência! Pode isso?

         Roberto da Matta intitula esse comportamento como desigualdade simpática. A tradução desse termo para o caso exposto é: eu sou a sua opressora e vou sugar o seu sangue até a última gota. Mas, o farei de modo simpático. E você - mulher com deficiência - me sorrirá de volta para os registros fotográficos. Somos absurdamente desiguais, mas vamos fingir que somos iguais! Num clique somos deletadas, caramba!

         Por essa desigualdade simpática é que fica muito difícil combater os preconceitos e seguidas discriminações.


         Os movimentos feministas hão que entender que enquanto existirem as discriminações negativas deverão existir as discriminações positivas. Não tenho dúvida de que é a sociedade que tem que sair da inércia, da zona de conforto e enxergar a outra e o outro com deficiência e as diversidades em geral. Quem é a cega nessa narrativa?

quinta-feira, 16 de março de 2017

Vereadora Luciana Novaes e Deborah Prates no lançamento da Feira "Mobility Show"

É com muita honra que registro o produtivo encontro que tive nessa manhã com a vitoriosa vereadora do município do Rio de Janeiro Luciana Novaes

Fomos ao lançamento da Feira "Mobility Show", que ocorrerá na Marina da Glória da Cidade Maravilhosa nos dias 07 (de 12h às 18h), 08 e 09 (10h às 18h) de julho de 2017 (mais dados no cartaz abaixo).



Maiores informações: 0800 722 6612 ou www.mobilityshow.com.br

Na foto, da esquerda para a direita: Deborah Prates, Rodrigo Rosso, Luciana Novaes e Fábio Guimarães. 



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quinta-feira, 9 de março de 2017

Empoderamento da mulher com deficiência no IAB

No dia da mulher tive a felicidade de estar no rol das oradoras no evento do IAB (Instituto dos Advogados Brasileiros). Foi um momento de empoderamento das mulheres com deficiência. Pude falar sobre nós. Muito bacana sentir a inclusão fluindo na sociedade brasileira.


Descrição da imagem para pessoas com deficiência visual: cartaz de fundo branco e bordas superior e inferior vemelhas, contendo o logo do IAB (Instituto dos Advogados Brasileiros). Na parte superior há o desenho de um rosto de mulher na posição de perfil,composto por linhas gerais (linha da mandíbula, nariz, boca, pálpebra fechada, sobrancelha e cabelo). O cabelo é longo cai de forma horizontal, como se o vento estivesse o empurrando. O cabelo começa num tom de vermelho e conforme avança na imagem vai passando para o roxo, o rosa, o laranja, o amarelo e por fim o verde. Ao lado direito há 4 gaivotas, respectivamente nas cores rosa, vermelho, laranja e amarelo. Abaixo disso estão as informações da pauta. O nome de Deborah Prates é o terceiro de cima para baixo no rol das oradoras.



Em seguida foto de Deborah Prates sorrindo vestindo uma camiseta branca. A blusa possui um quadrado preto no meio contendo vários conjuntos de mãos dadas e no meio está escrita a palavra "sororidade" em amarelo.


quarta-feira, 8 de março de 2017

Sancionada lei que facilita acesso de mulheres com deficiência à mamografia

Da Redação | 24/11/2016, 16h01 - ATUALIZADO EM 06/12/2016, 12h54

Mulheres com deficiência terão o acesso assegurado a prevenção, diagnóstico e tratamento dos cânceres de mama e de colo de útero no Sistema Único de Saúde (SUS). É o que estabelece a Lei 13.362/2016, sancionada pelo presidente da República e publicada no Diário Oficial da União nesta quinta-feira (24).


A nova lei tem origem no Projeto de Lei do Senado (PLS) 406/2011, aprovado em março de 2012 e na Câmara dos Deputados em outubro de 2016.


O texto esclarece direitos já previstos na Lei Orgânica da Saúde (Lei  8.080/1990) e, de modo mais específico, na Lei 11.664/2008, que disciplina a prevenção e tratamento dos cânceres de mama e de colo de útero no SUS.  Para isso, acrescenta novo parágrafo ao artigo 2º da Lei 11.664/2008.


A preocupação dos parlamentares é com a falta de capacitação de profissionais e de adaptação de equipamentos para mulheres com deficiência.


Na justificativa do projeto, a autora, senadora Ana Amélia (PP-RS), afirma que a maioria dos serviços de saúde não dispõe de estrutura física e equipamentos adequados para mulheres com deficiência, e também não conta com profissionais capacitados. É o caso, por exemplo, das mulheres paraplégicas, que enfrentam sérias dificuldades para realizar o exame mamográfico, e das tetraplégicas, que ficam praticamente impossibilitadas, uma vez que não existem mamógrafos adaptados para essa condição, argumenta Ana Amélia.


O relator da proposta na Comissão de Assuntos Sociais (CAS), então senador Paulo Davim (RN), acredita que o principal obstáculo é a realização da mamografia por mulheres vítimas de amputação, de doenças mentais ou neurológicas, que lhes retirem os movimentos dos membros inferiores. Isso ocorreria porque os equipamentos e o ambiente não estão adaptados à condição das pacientes e às cadeiras de rodas.


Na comissão de Direitos Humanos, foi acrescentada uma emenda de redação,
trocando o termo mulheres portadoras de deficiência por mulheres com deficiência. O relator na CDH, senador Paulo Paim (PT-RS), explicou que a expressão é mais precisa e correta.



Fonte: Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Feliz Dia Internacional da Mulher 2017

No Dia Internacional da Mulher é que venho, às duras penas, fazer um sofrido desabafo. Falamos em sororidade, contudo, na prática, não nos comportamos como irmãs.

Lembro que as mulheres COM deficiência não são lembradas nas rodas de conversas, face ao terrível fenômino da invisibilidade. Por isso é que somos esquecidas pelas iguais SEM deficiência.

Arte: Rosa Santos


Faz pouco que tive uma triste experiência em um coletivo feminino. Pugnei para que as nossas reuniões fossem realizadas em locais acessíveis, já que as acessibilidades fazem parte dos nossos direitos fundamentais.

O reboliço foi total! A mulherada fazia que entendia, porém, na prática, foi uma verdadeira batalha para a realização em local diferente do habitual (que era inacessível).

Por incompatibilidade na minha agenda não pude estar presente nesse novo local. Então, ouvi: - Ela insistiu tanto para fazermos em local acessível e ela nem veio. Absurdo! Nada adiantou o nosso sacrifício.

Vale, ante a pobreza de alma acima, trazer a reflexão do querido Prof. Romeu Kazumi Sassaki (inclusivista):



"PRINCÍPIOS DO ESPAÇO ACESSÍVEL


Princípio 1: Onde a pessoa sem deficiência acesso livre tem,
                    a pessoa com deficiência deverá tê-lo também.

Princípio 2: Onde o desenho universal ainda é um hiato,
                      o Princípio 1 será aplicado de imediato."


Verdadeiramente precisamos praticar a SORORIDADE. Certo é que as acessibilidades hão que estar em todos os lugares abertos ao público, ainda que o estabelecimento seja privado, independentemente se a pessoa com deficiência não possa estar presente.

As mulheres sem deficiência têm que compreender que a dignidade da mulher COM deficiência tem que estar igualmente intacta.



FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER. É o que desejo a todas nós.


sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Coração universal. Que tal?

         Quanta honra para mim ter o meu novo texto publicado no "Justificando". Convido-os a ler e, se puderem, comentar. 






Segue a matéria na íntegra, disponível também no link: http://justificando.cartacapital.com.br/2017/02/03/coracao-universal-que-tal/


"A nossa Convenção de Nova Iorque consagrou o princípio do desenho universal, valendo dizer a idealização de ambientes, serviços, produtos e programas que possam ser usados, com muito conforto e com igual oportunidade, pela maioria esmagadora dos seres humanos.

A maravilha descrita somente terá sucesso se o coração humano igualmente for universal, ou seja, se a população tiver a grandeza de enxergar e acolher as diversidades de modo democrático, isonômico. A coletividade há que entender que as diversidades são como são e não como ela gostaria que fosse! Mas, de qual pedagogia iríamos nos valer para conquistar esse feito?

O desafio hodierno é instigar a sociedade para que reveja os defasados conceitos e preconceitos, de modo a, solidariamente, promover a verdadeira inclusão social.

Poxa, como seria bacana se, por exemplo, as pessoas com deficiência dessem o pontapé inicial e passassem a procurar os demais humanos excluídos socialmente, objetivando dialogar com esses outros sobre a opressão, ou vice-versa. Afinal, esta é suportada por todos nós. Eis o flagrante elo em comum com os integrantes desse sofrido conjunto de pessoas.

Então, com a harmonia e o encontro de ideias comuns agregaríamos, com sabedoria, na luta contra o uso da violência pela sociedade para nos sufocar e demonstrar autoridade, tirania, tão-só porque fugimos a fôrma da indústria da moda ditada pelo selvagem capitalismo que sugou os nossos cérebros faz mais de 200 anos. O ser que habita um corpo diferente do que é tido como padrão está excluído!

Essa sujeição, imposta contra nós pela coletividade, que caracteriza um injusto domínio pela força física e/ou psicológica, faz com que nos sintamos reprimidos, humilhados, sem forças nem vontade para reagir a essas inenarráveis condutas fascistas. Em inúmeras vezes os excluídos sentem-se quase humanos, apenas pela cor da pele (racismo), ou porque são imigrantes (xenofobia), ou pelas deficiências (pessoas com deficiência), ou pela idade (idosos), ou por serem mulheres (desigualdade por gênero), ou por serem de religiões distintas (intolerância religiosa), etc. Tudo por conta do preconceito e seguida discriminação que nos é imposta pelos humanos que se acham privilegiados, superiores. Esses sentem-se seres supremos!

Fato incontroverso é que o ser humano deixou de pensar e, por isso, vem sendo conduzido, tocado, como rebanho. Lembro-me, nesse momento, das ovelhas que precisam, obrigatoriamente, de um pastor, com o poder de seu cajado nas mãos, para protegê-las. Daí, quando o ambiente está calmo, sereno, com os lobos distantes e com as ingênuas ovelhas pastando, está o pastor com o seu cajado a dominar o pedaço. Pobre rebanho! Seríamos nós excluídos, quer dizer as ovelhas diferentes tidas como desgarradas ou marginalizadas? Quem é o nosso pastor? Quem somos nós?

Pois é, a opressão social faz com que os cidadãos percam as respectivas identidades e, sufocados, pisados, passem a ser outras pessoas contra as próprias vontades.

Modernamente o diálogo pode ir muito além da tradicional forma presencial, como, por ilustração, as ferramentas digitais, tais como o blog e o e-mail, e as redes sociais, etc. Assim, não tenho dúvida de que a nossa união – presencial ou virtual – nos dará forças para articular um processo ininterrupto de troca em que múltiplas vozes co-construirão o novo conhecimento acerca das diversidades.

Cristalino está que isoladamente, melhor dizendo, cada qual no seu quadrado, não está surtindo o efeito que precisamos na desconstrução dos horríveis preconceitos que a população perpetua relativamente aos diferentes. Para que essa triste evidência seja transformada se faz necessário que mudemos a visão monológica da conversa para a visão dialógica.

Enquanto estivermos falando para o espelho não interagiremos o eu com o outro, razão porque não provocaremos a alteridade. Verdadeiramente será com a ideia da unidade, comunhão, que atingiremos a consciência humana.

A mais linda poesia que o ser humano já escreveu, na minha opinião, foi a Declaração Universal dos Direitos do Homem (ONU – 1948). Contudo, poucos a leem, sendo que muitos que o fazem não a entendem. Raros são os que sabem que a nossa Carta Cidadã a recepcionou, pelo que está o Brasil obrigado a cumpri-la. À vista disso é que o Brasil tornou-se uma Terra sem lei. Rasgamos a Constituição da República e, como consequência, terminamos com o Estado Democrático de Direito. Já pensaram?

Pois é, colocar o dedo na ferida é muito doído. Todavia, necessário para sairmos desse estado de torpor.

Com o presente artigo venho convidar a todos a refletirem sobre as ideias aqui contidas e, depois, praticarem sucessivos exercícios de acessibilidade atitudinal, a fim de concluírem pela ressignificação dos humanos diferentes. Somente através da educação dialógica é que conseguiremos um coração universal.

Lutemos pela INCLUSÃO SOCIAL já!"